FALANDO COM PORTAS

Se me visse proseando com uma porta provavelmente pensaria que estou louco. Mas e se, ao invés disso, encontrasse a porta puxando assunto comigo? Quem seria o louco? Eu que falo com elas ou você que as vê conversando com os outros?

Não tenho a resposta, mas, uma coisa lhe digo! Não se assuste se ver esta cena acontecendo aqui em Belo Horizonte. Não sei na sua cidade, porém, aqui na capital, as “portas” ganharam vida e já estão por ai “discutindo” sobre política, religião, cultura, legalização do aborto e etc.

Eu, particularmente, ainda não consegui promover um diálogo duradouro com elas. Como estão no processo de desenvolvimento da conversação, estão empolgadas com o falar e não deixam que os outros se pronunciem, logo, este monólogo me tira a paciência e acabo não rendendo o papo.

Falam, falam, falam e não permitem que o interlocutor manifeste a sua opinião sem interrompê-lo de maneira grosseira ou pouco fundamentada. Aliás, isso só pode ser defeito de fábrica! As portas daqui só “se fecham”! Nunca estão “abertas” à escutar ou para reconsiderar a própria ótica sobre as coisas.

Nós, seres humanos, ficamos tão incrédulos perante a esta ignorância e estupidez que já nem nos assustamos com o fato delas estarem falando. Nos assombramos de verdade é com a quantidade de bobagens que essas cabeça-dura conseguem produzir por segundo.

Até tentamos de vez em quando ser mais pacientes, ouvi-las e, com calma, levá-las a pensar de forma diferente, contudo, quando elas percebem a nossa manobra, nos deixam falando sozinhos e correm para as redes sociais...

E aí meu amigo, sai da frente, pois o caminhão de asneiras perdeu o freio e está descendo a ladeira desgovernado! Se as portas ainda não aprenderam a conversar direito, quiçá a escrever corretamente.

O ambiente virtual atualmente chega a ser triste. Elas estão nele em peso. Eu já vi várias! Não é possível que você não tenha visto um post de alguma. Se não viu, ainda verá! Pode esperar. Esteja preparado para se chocar e até mesmo para clicar no botão “deixar de seguir”.

Só não termine a amizade. Elas são inexperientes, mas são do bem. Não fazem mal a ninguém. Estão no processo de evolução. Por hora, espero apenas que elas encontrem um bom óleo de peroba; além de hidratar, serve para ilustrar caras-de-pau.

BONANÇA

Cai a chuva no jardim da minha alma, cai de dentro de mim para fora.

Da janela avisto e sinto cada gota tocar lentamente o chão.

Foram-se as tardes com tempestades passageiras de verão.

As águas escorrem contínuas; carregam sem rumo os meus sonhos pelos caminhos repetidos desta rotina.

O sol ameaça surgir, mas logo já não está mais ali.

Parece noite todos os dias; parece que todas as noites não tem fim.

O silêncio predomina no ambiente, enquanto os pensamentos gritam fervorosos na mente.

Imploram para que eu saia e corra pelo quintal encharcado, chute todas as poças de lama, aproveite a terra úmida para semear e plantar.

O coração sente a energia e toma esta prece impulsiva e desesperada para si.

Abro a porta num repente e sem importar com o frio gélido que me assalta, disparo num só pique.

Já estava cansado de tanta inércia; foram muitos anos simulando viver. É hora de me reativar, expulsar o medo, parar de apenas sobreviver.

Corro feito louco de um lado para outro! Ensopado, porém, encorajado!

O céu percebeu a minha transformação e vendo tal motivação, julgou ser melhor parar o seu choro.

Findou em segundos o aguaceiro, abriu o mais magnífico azul e decidiu compartilhar do meu sentimento.

Com o solo já seco, os sonhos deixaram de ser carregados à deriva e ganharam foco;

Pararam de usar a rotina como desculpa para mirar naquilo que realmente gosto.

E neste momento estou do lado de fora, o sol brilha no jardim da minha alma.

Sinto cada raio tocar o meu rosto na certeza que, de agora adiante, tempos de estiagem estão por vir;

Tempos onde os canteiros molhados, recém semeados, enfim, começam a florir.

Dedico este texto aos meus amigos de trabalho do Olé Consignado e ao mestre Pachechão que hoje está soprando as velinhas.

HISTÓRIAS

Algumas foram escritas tão rápido que mal pude apreciá-las; outras registradas tão lentamente que as vivi em cada palavra. A maioria deixou um mar de boas lembranças, mas uma parte evaporou sem merecer ser recordada.

De tempos em tempos muitas delas me vêm à memória; saudade é bom, mas bom mesmo é registrar novas histórias. Continuar a escrever a autobiografia levando consigo a felicidade e o aprendizado das páginas anteriores, dos dias de outrora.

Tudo que ficou colado no álbum de fotografias fora importante, mas nem por isso desejo regressar ao passado desta ou daquela imagem; talvez reler o livro duas ou três vezes, mas sempre procurando entendê-lo sobre uma perspectiva reformulada.

Sou do tipo de pessoa que se apega demais, porém, se me perguntarem no que me tornei mestre, a capacidade de desapegar se sobressai. Gosto de olhar o ontem a certa distância e carregar o hoje protegido debaixo das minhas asas.

Dentre as crônicas que deixei para trás, me deliciei nos meus monólogos, no entanto, excitação de verdade se fez quando estive cercado de muitos outros personagens.

Pessoas que deixaram a sua passagem destacada; que seguraram estas mãos que aqui digitam e manusearam o lápis no momento em que precisei fazer uma pausa. Anjos que observando a minha total cegueira redigiram trechos do meu futuro enquanto eu olhava para frente e ignorantemente não via nada.

Navegando por entre os anais que escrevi, fico aqui empolgado, imaginando os que estão por vir. Viajo, viajo e viajo mergulhado dentro de mim...

Viajando para todo o sempre ficarei, contudo, por mais que eu cogite possibilidades é difícil falar sobre o que ainda não aconteceu. Não consigo prever quantos relatos farei e como irei os narrar; só espero estar sorrindo bastante enquanto os estiver a contar.

 

Não sei quais memórias irei anotar, mas sei qual fonte do Word selecionar. Logo após os meus 18 anos passei com a “Verdana” tudo formatar. Questionei ao Noraldo, “por que quer que eu digite o texto nesta fonte em específico?” E ele me disse: “Simplesmente porque acho bonita; gosto de usar”. Daí para cá não parei mais de utilizá-la... Dedico este texto a este cidadão Guanhanense, ótimo consultor, que agora habita na casa do Pai.

 

SAUDADE DEFINE

É como se nesta balança o lado de cá estivesse mais pesado do que o outro e Deus começasse a dar os Seus pulos para nivelar os dois mundos.

Entre uma escrita certa e uma linha torta, Ele tem levado alguns dos nossos para o Seu convívio a fim de não permitir que uma banda fique mais encorpada do que a outra.

Para nós, que não conhecemos os Seus planos e muito menos sabemos qual peso iguala as medidas, soam injustas essas “perdas” repentinas e até inconsequentes perante a nossa ignorância.

Será que o próprio Criador, em sua majestosa simplicidade, tem andado um tanto carente? A pergunta talvez pareça meio herética, mas quem sabe, esta não seja a resposta mais simples para explicar tantas partidas...

Aqui, ali, acolá! Os noticiários não me deixam mentir. Amigos, colegas, familiares; desconhecidos desta vida! O Homem lá cima os tem chamado de muitas formas, Mariana. E se você não quiser acreditar no que digo, inspire e o cheiro da lama ainda irá penetrá-la.

Devem estar faltando anjos no céu, Marcos Carlos! Só pode! Os que aqui nos iluminaram, findaram sua missão neste plano e agora estão sendo convocados para trabalhar nalgum outro recanto celestial.

Até quase ontem, o menino Hudson lhe via caminhar pelas ruas de Guanhães, Sr. Antônio! Mas agora, os olhos do rapaz só o alcançarão onde a lembrança e o sentimento autorizarem acesso.

Não é fácil meu Pai, continuar a viver sem conviver com tanta gente boa... Apesar disso, espero que não confunda a nossa saudade com lamento. É que de tempos em tempos o peito aperta e a falta de costume por não termos mais “perto” aqueles que amamos, nos coloca a expurgar o que de fato estamos sentindo.

E para concluir, peço a Ti de coração, que mesmo com o pensamento latejando para discordar das Tuas ações, tenhamos paciência e resignação para entender a Sua vontade e principalmente para compreendermos que não importa quantas vezes a balança irá se reequilibrar, um dia, todos nós iremos nos reencontrar.

 

Dedico este texto a toda à população de Mariana que sofre após o rompimento das barragens. Em especial, aos amigos Hudson, Thalyta e a minha irmã Nivalda.

POLÊMICAS

Não apoiar a redução da maior idade penal não colocará nenhum menor atrás das grades. Me pego pensando que apoiar também não, mas, independente do que penso, indago-me de quem será a culpa por uma prisão; da lei ríspida ou do adolescente que cometeu o crime?

Dizem com veemência que a educação é a melhor solução, porém o governo brasileiro, há anos, demonstra não concordar com isso. Questiono-me quem é mais incoerente; aquele que defende a mudança pelo ensino e elegeu os governantes atuais ou os políticos eleitos que prometeram e agora não cumprem.

A virgindade da mulher, desde criança, é tida como “sagrada”, enquanto a do homem, se não perdida logo no limiar da adolescência, é sinal de “viadagem”. O menino desesperado, com medo de desconfiarem, transou com a primeira “novinha” que cruzou o seu caminho.

Ela, por sua vez, disse ao pai ter sido dopada, mas na verdade, transou porque quis, ansiava tornar-se “igual” às amigas. E eu, incomodado, escrevo este texto sem saber analisar quem se precipitou mais; aquela que “deu” cedo para sentir-se parte, aquele que “comeu” antes que fosse tarde demais ou quem criou todos estes conceitos machistas, desleais à realidade.

O líder religioso é intolerante, preconceituoso e não está aberto ao diálogo. Nós o criticamos, destacamos suas falhas e dizemos que pessoas como ele deveriam desaparecer da face da terra. E eu, novamente inconformado, coloco à prova esta nossa “superioridade” que adora sentar no rabo para apontar os outros e abafar as próprias fragilidades.

Mas ruins de verdade são os políticos! Estes, por serem corruptos e roubarem da população, não merecem perdão! Sinceramente, eles me tiram do sério! Talvez, só não me abalem tanto quanto a dúvida que vem à mente quando tento imaginar o quão piores são, comparados aos que, voluntariamente, dão troco errado, cobram além do justo ou não devolvem a carteira perdida com dinheiro.

Furtos em proporções menores, mas ainda assim, furtos! Que tal punir todos estes com pena de morte? E se concordar, eu lhe perguntaria: leitor, quantas vezes devemos perdoar os líderes religiosos e os políticos quando eles pecam contra nós? Até sete vezes? Será que você responderia “até setenta vezes sete”?

Polêmicas, interrogações, contradições, poucas certezas/afirmações! Este cenário me fadiga meu povo; a gente precisa mudar. Especuladores já temos aos montes. Vamos levantar do sofá, parar de polemizar! Responder mais ao invés de perguntar.

Vamos mostrar a cara, ter personalidade, assumir o erro ou o acerto, ir à reunião da câmara, da assembleia, do bairro, sei lá! Já passou da hora de aprender a analisar os dois lados da moeda, pensar no quanto a pedra é pesada antes de atirá-la.  

Começo por mim, quem sabe outros também não queiram vir neste embalo. Aproveite todas estas minhas interrogações aqui deixadas para exercitar a sua capacidade de se posicionar. Diga algo nos comentários! Puta que pariu, galera! Deste jeito torto que está não dá pra ficar.

XOTE DOS MENINOS

 

Chegou a ser assustador abrir os olhos e, de repente, me enojar com aquela coleção de carrinhos ali parada. Todos aqueles modelos, marcas e estilos que até ontem encantavam, numa fração de segundo, passaram a trazer leves refluxos à porta de minha garganta.

Eu realmente havia acordado estranho naquele dia; sentia-me mais velho, mais experiente, crescido... Sei lá! Minhas ações fugiam do controle e a ansiedade me percorria de uma extremidade à outra.

Confuso diante do “novo eu” recém-apresentado, corri para lavar o rosto e de lá, antes mesmo de me secar, refugiei-me nas primeiras canções que tocaram no rádio, porém, quando notei que elas tentavam descrever-me, puxei a tomada.

Fiquei nervoso! Quem é esse tal Djavan? Em que momento esse cara andou me espionando e quem lhe cedeu permissão para traduzir-me? E por onde andava o Roupa Nova que agora resolveu aparecer reativando o sentido de letras antigas?

A lógica criada pelos meus pensamentos desfazia-se diante do sentimento e o céu configurava-se mais colorido que o normal. O certo se tornou questionável e o errado tão tentador como um parque de diversões ao alcance da criança que espera para desfrutá-lo.

A lembrança da madrugada passada era vaga, mas mesmo entre lembranças não tão claras, quando me ocorria à possibilidade de rever quem havia me feito suspirante e “diferente” naquela manhã, desejava ser senhor do tempo para acelerar o cair das estrelas e o novo encontro que estava por vir.

O almoço mal descera e no noticiário das doze horas consegui enxergar beleza na matéria sobre a inauguração das estações do Move. Eu enxergando??? Neste momento, tive a certeza que, de fato, tudo se encontrava revirado.

Pensei estar doente, mas meu pai não estava ali para me levar ao “dotô” da família, o grande Luiz Gonzaga. Entretanto, ainda que fôssemos até lá, provavelmente ele nem me examinaria. Diria ao papai em surdina que era carnaval e que para tal mal “não tem um só remédio em toda a medicina”.

E assim fui tarde à dentro sem saber se queria que “aquilo” passasse. Aliás, até hoje não passou. Uma nova noite de carnaval nos uniu e até a presente data, esta união permanece intacta. Mantivemos ativo o fogo inicial desta paixão, o papo fácil, a cumplicidade, a parceria, as risadas, a vontade de beijar e esse desejo incontrolável de querer, de só pensar em namorar.

MENOS INTOLERÂNCIA, POR FAVOR!

Eu sou espírita, eu sou Charlie! Optei por esta crença religiosa, pois acredito fielmente nos dogmas desta doutrina e no trabalho realizado por Chico Xavier no tempo em que ele era amigo do Gasparzinho e de toda a sua trupe de fantasmas.

Ah, e falando no Gasparzinho, que fantasminha camarada! Como era fanfarrão! Foram incontáveis às vezes que deixou Chico falando sozinho só para que os vizinhos pensassem que ele era louco.

Nem quando aparecia, ninguém via o danado. Falava tão baixo que só Chico o ouvia. Gasparzinho era extremamente brincalhão, mas, de tempos em tempos, ficava triste por não possuir mais o seu corpo carnal e Chico, sensibilizado, emprestava-lhe o próprio para apartar a tristeza do amigo.

Apesar das suas estripulias, momentos felizes e tristonhos, Gasparzinho era um companheiro fiel e considerava Chico como um irmão. Todos os dias trabalhava ao lado do médium e não o deixava até que a última psicografia fosse entregue.

Desde os primórdios da convivência, mesmo com o ofício humanista e solidário promovido por eles, esta amizade nunca fora benquista, todavia, até os mais céticos que cruzaram o caminho deles não podem negar que a parceria deu certo e que inúmeras pessoas foram agraciadas com o labor que executaram juntos.

O que não se pode também levantar suspeitas é quanto à fé que possuíam. Diariamente ouviam críticas acerca da sua atividade e do próprio Espiritismo, porém, durante todo o período em que trabalharam juntos neste plano, permaneceram com o seu credo intacto e, principalmente, sobre hipótese alguma, desforraram de maneira igual ou pior as “afrontas” recebidas.

Admira-me neles, ver como guiaram seus dias com tranquilidade, tratando piadas com bom humor, críticas como possibilidade de melhoria e palavras mal intencionadas com palavras bem intencionadas. Nunca quebraram templos, atacaram revistas, mataram jornalistas, enfim, levaram uma vida pacifista e longe de qualquer conflito.

Fico tão confortável perante aos exemplos e o bom senso de Chico e seus companheiros espirituais, que os imagino lendo esta minha abordagem “diferenciada” sobre suas trajetórias e, com sorrisos amigáveis, os visualizo rindo deste escritor travesso que vos fala.

Mesmo com o tom “zombador” que coloco neste texto, penso que jamais pediriam para que eu parasse de escrever ou revidariam aquilo que digo de maneira grosseira, afinal, a crítica, independente da maneira como é produzida, gera mudanças de pensamento; talvez, não no tempo que consigamos visualizá-las neste mundo, mas no tempo que segue a ordem natural dos eventos e que não está sobre o nosso controle.

Assim como um dia católicos, evangélicos e outros criticaram o Espiritismo de maneira torpe e a maioria dos espíritas não se revoltaram contra eles, hoje, eu gostaria que os povos Islã seguissem este exemplo e não se rebelassem contra a revista Charlie Hebdo. Gostaria que procurassem enxergar que, conforme ocorreu no passado recente, as críticas que fortaleceram os ensinamentos de Kardec, também podem fortificar a religião fundada por Maomé.

Se pensarem assim quem sabe estes “ataques” da Charlie Hebdo ao Islamismo não a tornem uma religião mais conhecida e respeitada no futuro... Mas, fica a critério deles. Espero que, no fim de tudo, ao invés de serem conhecidos e respeitados pela intolerância, opressão e medo, eles optem ser reconhecidos pela capacidade que desenvolveram de encarar este tipo de situação com resignação e pacificação.

E eu que não tenho nada com isso, termino essa publicação dizendo que a minha fé não muda uma vírgula porque tem gente por ai fazendo piadinhas com Kardec, Chico, João de Deus e etc.

 

“Se as críticas dirigidas a você são verdadeiras, não reclame; se não são, não ligue para elas”. Chico Xavier.

SOMOS

Éramos felizes e não sabíamos! A rotina era outra; não tínhamos preocupações com o tempo, espaço, dinheiro, trabalho ou qualquer outra coisa mundana.

Andávamos descalços, com roupas simples, sol escaldante ou chuva torrente; enfim, não havia dia ruim! Todos os dias eram bons se a velha bola rolasse, se a “queimada” acertasse e se o “pic-esconde” ao final de cada tarde não “furasse”.

Soltávamos papagaio de julho a agosto, corríamos feito loucos atrás dos que eram “mandados” e se no concluir da correria não conseguíssemos pegá-los, ficávamos satisfeitos simploriamente por ter tentado.

Éramos felizes e não sabíamos! O nosso maior palavrão era “retardado”. Vivemos a época do Atari, do Super Mário. Naquele período onde transar soava como pecado e o primeiro beijo era uma conquista enorme, quase louvável.

Jogávamos bolinha de gude, finco, fliperama, cartas, bingo e inúmeras outras coisas que poderiam encher facilmente este parágrafo! MEU DEUS, definitivamente erámos felizes e não sabíamos!

Éramos tão felizes que a felicidade de hoje será sempre menor do que a de outrora, pelo menos, isso é o que a maioria das pessoas parecem demonstrar indiretamente em seus discursos acerca da vida, do tempo e do que as fizeram felizes.

Eu particularmente não concordo e me entristece essa perspectiva. Gosto de falar das minhas memórias para regozijar com o que elas trazem de bom e não para compará-las com momentos atuais a ponto de imaginar que estes não podem trazer tanto júbilo como antigamente.

Chego a considerar insana essa ideia de que o “perfeito” está no passado e sofrida demais esta sina de acordar todas as manhãs para lutar por algo possivelmente inferior.

Talvez eu me torne cavaleiro solitário assim pensando, mas entre viver de lembranças ou possibilidades de um futuro superior, eu continuo cavalgando pelo terreno dos sonhos, crendo que dias mais felizes estão sempre por vir.

NAS ESTRELAS

A culpa não é das estrelas. Nesta história, elas são tão inocentes que até me serviram de álibi...

Enquanto ouvia a crônica que o velho cacique contava, o pequeno curumim não compreendia na totalidade como tudo aquilo poderia ser possível.

Ele, que sempre viu as estrelas brilharem no céu e imaginou ser de lá a sua origem, não conseguia imaginar como aqueles fulgurantes pontos de luz poderiam nascer na terra, ganharem asas e depois partirem para iluminar a escuridão noturna criada pelo Espírito Protetor.

No trecho final do seu relado, disse o índio ancião na lucidez dos seus noventa anos de vida: “Aqui nascem as nossas irmãs celestiais! Aqui crescem e aqui fazem morada durante alguns anos. Um dia voam para compor novamente o infinito, mas, enquanto não acontece, usam-nos como cobaias e treinam o seu “brilhar” nos caminhos que caminhamos juntos”.

Mesmo parecendo somente mais uma lenda narrada por seu avô, os detalhes que a envolviam tocaram de maneira incontrolável o coração do jovem “Ave Aquática” e em meio ao turbilhão de ideias que saltavam de sua mente, ele indagou ao cacique:

- “Vovô, se elas são nossas irmãs, então nós também seremos estrelas no futuro? E se seremos, quer dizer que o meu papai não está mais aqui porque depois daquela caçada chegou a hora dele virar estrela? E será que eu também já posso virar estrela e ir morar com o meu papai?”.

Vendo que o neto compreendera a essência de sua narrativa, Cauê se emocionou ao lembrar-se do filho que há pouco tempo fora encontrar sua companheira no “outro mundo” e por um segundo ou dois chegou a perder o ar sem acreditar que a história inventada no dia da “grande tristeza” geraria tantas perguntas difíceis de serem respondidas...

Recuperada a respiração, achou melhor não responder os questionamentos do menino e preferiu deixar que o tempo se encarregasse de lhe mostrar as respostas. Limitou-se a dizer que nem as folhas caem das árvores sem que seja pela vontade do Espírito Protetor e que somente ELE poderia decidir o momento em cada um partirá para Ser mais uma vez unicamente luz.

Ave Aquática não saciou por completo sua sede de respostas naquela noite, mas, de alguma forma, o pouco que ouviu acalmou o seu espírito. Sem muito mais no que pensar, contentou-se em simplesmente deitar sobre o chão da aldeia, olhar para o alto e crer que, mesmo distante, haverá sempre alguém lá em cima nos iluminando e cuidando de nós. Tomado pelo sono, adormeceu e sonhou com o seu maior herói; seu pai.

 

“Nós somos feitos do mesmo material que as estrelas, então, também fomos feitos para brilhar”. Professor Pachecão.


Dedico este texto aos pais que já partiram, ao meu pai de sangue, ao meu pai adotivo, ao Pai Maior e especialmente ao meu sobrinho.

DESAPEGO

Ultimamente me obrigo a falar de coisas das quais não tenho vontade. Eu debato e não convenço. Distorço, disfarço e em meio a sofismas, tento guiar o nosso papo infundado.

A minha argumentação não é suficiente perante as suas justificativas e quando percebo, me calo. Que coisa! Parece bastar a conversa findar e você dar as costas para que as melhores respostas para todo aquele “bla bla bla” surjam fugazes em minha mente.

Pena não tê-la mais presente para ouvi-las... Não importa! Falo assim mesmo! Discuto contigo em pensamento, num universo paralelo, como se ainda estivesse ao meu lado.

Revolto-me! Digo-lhe poucas e boas, reclamo, pirraço e ao fim do nosso “diálogo”, me embalo no seu abraço, ludibriando-me numa falsa sensação de felicidade por termos concordado ao menos nesse mundo imaginário.

Num piscar de olhos me distraio e salto dos teus braços rumo ao passado. Revejo-a dando-me de ombros e eu, novamente, começando a discutir com o nada. A cena se repete, reconstruo as minhas falas, elimino as possíveis falhas e lhe jogo mais uma vez tudo na cara; você me embala.

Há tempos que vejo esta situação se repetir e, de tanto fantasiar e me cansar, enfim, começo a pensar que é hora de parar. Se falamos a mesma língua somente quando idealizo e quando não conversamos é sinal que os nossos invernos calorosos juntos se acabaram e que, daqui para frente, será melhor desapegar.

Assim sendo, neste dia dos namorados vou na contramão! Enquanto alguns, não todos, expõem a sua felicidade nas redes sociais para prestar contas à sociedade, eu esqueço todos estes modismos e me oriento pelo sentimento para dizer-lhe que não há razão para continuar aquilo que só mantemos atualmente por aparência.

A maturidade consiste em deixar o outro voar. Carregarmo-nos um nas costas do outro impedirá que as nossas asas se movimentem livremente e conseguintemente não poderemos alçar voo, por escolha própria, ao lado de outros amores.

 

Nesta data, desejo que muitos digam “eu te amo”, mas também espero que muitos tenham força para assumir que acabou. Talvez esta seja a maior prova de amor.

DISTORCENDO CONCEITOS

Aleluia! O objetivo foi alcançado! Quarenta dias sem beber, comer carne, chocolate, whatever.  Enfim poderemos descontar todo esse tempo de privação e comemorar por esta vitória lograda.

O freezer já está lotado e a carne no ponto para ser assada. Quanto ao chocolate, seremos mais resistentes e aguardaremos até o domingo; quiçá até depois do domingo, afinal, com o passar da páscoa o preço dele despenca.

Não sabemos ao certo qual presidente criou essa tal quaresma, mas concordamos que ele é um gênio. Num tapa só, alegramos as esposas com a nossa abdicação temporária do álcool e, ao mesmo passo, elas também emagrecem após bons dias sem comer tanto doce.

...                                                     

Talvez você que fez sua penitência pensando na real renovação espiritual que essa época pede, esteja chateado com a maneira como estou abordando este assunto, mas, infelizmente é assim que a quaresma e a páscoa estão sendo encaradas por boa parte dos brasileiros; como um momento para bater metas, consumir, perder peso, dentre vários outros conceitos deturpados.

Não me refiro somente aos excessos que as pessoas andam cometendo após ficarem quase um mês e meio sem fazerem alguma coisa, mas também à falta de comoção e total desconsideração para com a data.

Neste momento, enquanto escrevo este texto, estou vendo na televisão uma matéria sobre um grupo de contadores que trabalharam neste “feriado” para entregar as declarações de imposto de renda que ainda estão pendentes...

A matéria acaba, vem o intervalo e os anúncios dos ovos não param; ou melhor, param para falar sobre a copa e o orgulho que devemos ter por sermos o país sede. Em outro canal está sendo exibido o filme “Jesus”, contudo, é preciso assinar o “combo máster” da operadora para assisti-lo.

Antigamente participávamos da encenação da Paixão de Cristo, mas hoje, alguns acham que teatro é coisa de gente à toa, outros não querem ver essa história chata de todo ano e, às vezes, até uma cidade deixa de assistir a peça, pois o próprio padre da paróquia não permite a exibição da mesma.

Sinceramente não sei para onde estamos caminhando ou se há um fator positivo nisso tudo, só sei que ao ver toda essa mudança conceitual, me sinto como se estivéssemos deixando a nossa base ruir e apagando aos poucos a história que nos construiu.

Penso que realmente estamos associando “valor” somente ao que custa caro e permitindo que escape por entre os dedos os verdadeiros valores que recebemos dos nossos pais, avós e etc.

Provavelmente vai haver aqueles que dirão que estou dramatizando, que o mundo mudou e o escambau, porém, eu prefiro continuar fazendo o meu drama e falando para quem quiser escutar; todas as coisas podem mudar, mas isso não significa que eu tenha que me alienar.

FELIZ PÁSCOA!!!

OS PARADOXOS DO HOMEM SENSÍVEL

Era dia de jogo e o homem sensível resolveu ir ao estádio para acompanhar o seu time do coração. Se fosse há alguns anos, ele calçaria aquela sandália velha, vestiria sua camisa tricolor acompanhada de um short jeans surrado e, aos berros, caminharia até o campo bebendo e cantando com os amigos.

Mas hoje não! Os tempos mudaram; os homens ficaram mais “delicados” e este comportamento bronco de outrora já não seria mais aceito pelos demais membros do bando. Assim sendo, eis que o homem sensível, três horas antes de partir para a Arena Chapadão, começa o ritual de beleza e preparação para exibir sua sensibilidade em público.

Depila-se todo, toma banho, faz a barba, corta as unhas, escova os dentes, escolhe uma entre as quinze camisas originais que possui, seleciona a melhor calça e o sapato mais adequado, fica em torno de trinta minutos arrumando o seu topete, perfuma-se, volta, confere novamente o cabelo e pronto!

Agora sim! O homem sensível estava preparado para assistir a partida. No elevador, rumo à garagem, uma cena incomum! Pela primeira vez após alguns meses, ele vê sua vizinha sem o namorado. “E que vizinha”, pensou. “Tá gostosa pra caralho. Isso tem cara que gosta de uns tapas”.

Quando a porta se abriu no primeiro andar, ele, todo generoso e educado, fez questão de dar passagem à moça que saiu pulando na frente sem sequer olhar para trás. E o homem sensível, cheio de si, virou-se para o porteiro e disse “Fala aí, Zé! Carinha de moderna, jeitinho de safada! Que delícia! Aposto que já vai soltar pra algum ricaço”.

Enquanto checava o motor do carro, observou que o Padre Chico passava pela calçada. Fez questão de abordá-lo, retirar uma nota de cinquenta da carteira e doar para aquele homem de Deus. “Sua benção, Padre! Leve esta doação para ajudar na reforma da igreja”. O velho Chico, feliz com a boa ação, agradeceu o gesto e seguiu o seu caminho.

“Complicado ser Padre... Passar a vida sem dar uma boa trepada... Só pode ser “viado”; não tem outra explicação”. Com essa conjetura em mente, arrancou o possante já ouvindo no rádio os comentários sobre o espetáculo futebolístico que iria presenciar na hora seguinte.

Chegando ao estádio notou que um grande grupo de pessoas protestava, utilizando de faixas e cartazes, contra ações racistas no futebol e gritavam palavras de ordem a favor de um jogador negro que recentemente foi discriminado por torcedores peruanos num dos jogos da Taça Libertadores da América.

Sensibilizado pela causa, o nosso torcedor tratou de conseguir um cartaz e passear pela arquibancada exibindo-o para as câmeras da Rede Glóbulo, berrando com cara de indignação, “Preconceito Não”. Mas, protestos a parte, o jogo começa, o manifesto foi deixado de lado e toda a atenção foi voltada para a disputa.

- “Puta que pariu! Não acredito que o técnico escalou aquela “moça” na zaga! Se bem que, se ele agarrar os atacantes adversários assim como agarra os machos dele na rua”.

- “Cara, aquele lateral que veio da Europa é branquelo demais! Se esse jogo fosse durante o dia, esse macaco albino entraria em extinção”.

Seguiu o jogo e o primeiro tempo chegou ao fim! Como de costume, era hora de comer aquele tradicional “troperão do chapadão”. Quando se dirigia para o restaurante do estádio junto ao amigo que encontrou por acaso, o homem sensível avistou no camarote vip sua vizinha acompanhada do... do... do...DR. ALMEIDA!!!

“Caramba, o Dr. Almeida é o cidadão mais rico dessa cidade e essa cadela tá dando pra ele! Vou ter que fazer amizade com essa mulher! Se eu conseguir me aproximar desse cara posso conseguir um emprego dos sonhos na empresa dele.”

- Marcão, antes de ir lá comprar o tropeiro, vou ao camarote cumprimentar uma amiga que está por lá! Se eu não for, ela me mata! Gosto muito dela e não posso fazer esta desfeita com uma pessoa tão querida e digna. Até daqui a pouco...

OS PARADOXOS DA MULHER MODERNA

A mulher moderna acordou naquele dia, motivada, disposta para o trabalho, ciente dos seus direitos e principalmente feliz pela “IGUALDADE” alcançada perante aos homens. Ela sabia que o preconceito existente com as mulheres diminuíra e que agora, para que as coisas melhorassem, só dependeria de suas próprias atitudes e esforço.

Empolgada, vestiu um terninho executivo pouco decotado, subiu no salto e foi à luta. Logo no elevador do seu prédio, como sempre lotado, antes mesmo que os gentis cavalheiros desinteressados lhe cedessem passagem quando a porta se abriu, já foi pulando na frente deles e pensando com toda a certeza do mundo “Sou mulher; tenho preferência”.

Por milagre, mal chegou ao ponto do ônibus e a lata velha da BHTRANS já foi estacionando. Mesmo com o busão abarrotado de pessoas não teve problemas para se sentar, afinal, outro homem generoso e sem interesse lhe doou o assento com toda a boa vontade e cheio de sorrisos capciosos.

E a mulher moderna, claro, aceitou sem pestanejar! Sim; era mulher, muito mais frágil do que aquele brutamonte. Era justo e normal que o assento fosse ocupado por ela. Após se acomodar, para mostrar cultura e que o sexo feminino também é antenado, sacou de sua bolsa um jornal impresso de circulação nacional.

A capa do mesmo apresentava uma matéria sobre os efeitos positivos da Lei Maria da Penha. Enquanto lia, regozijava ao ver que homem que tentasse bater em mulher poderia ser preso, mas, toda esta alegria e consciência social feminista mudaram de direção quando ela se lembrou de que não havia acabado de ler o livro mais badalado do momento entre “as mulheres modernas”, 50 tons de cinza.

Num segundo, deixou o jornal de lado, retirou o tal livro da bolsa e mergulhou na leitura. No começo, ruborizou ao ver que algumas pessoas a encaravam com olhar crítico, mas tranquilizou-se pensando:

“Eu sou uma mulher moderna e descolada! Assim como os homens, também posso ler coisas que falem sobre sexo e... ahhhh e esse Christian Gray é tão incrível e perfeito! Ele é bonito, charmoso, elegante, magnânimo! Aff, quem me dera se o Tadeu fosse igual a ele...”

Hipnotizada com as “manias” do galã de olhos cinza, saiu da terra das “fantasias eróticas” quando ouviu o celular tocando. Era o seu chefe, o Dr. Almeida. O velho, rico que só, ligou para avisar que, devido a um “apagão” no sistema da empresa, não iria haver expediente e que ela teria o dia de folga.

Aproveitando o embalo da ligação, o Dr. Almeida resolveu convidar a mulher moderna para um jantar no restaurante mais caro da cidade. Assustada com o convite e percebendo as segundas intenções do patrão, num repente, imaginou-se casando com ele, morando naquela mansão de luxo do Belvedere, gastando o dinheiro dele, indo às festas, usando os carros e...

- Olha Dr. Almeida, eu aceito o convite sim. Mas não pense que quero explorá-lo. Não gosto de depender de homem nenhum! Sou uma mulher moderna e faço questão de pagar a metade da conta...

Se eles se encontraram, não sei. Provavelmente sim. Só sei que o Tadeu foi bater lá em casa bêbado, chorando e sem entender porque a namorada que ele tratava com tanto carinho resolveu terminar abruptamente o namoro de longa data.

Entre soluços ele dizia: “Poxa Carlos, os pensamentos dela não condizem com as ações que ela pratica. Ela me falava uma coisa, mas agia de maneira totalmente contrária. É difícil demais de entender essa mulher moderna”.

Olá, boa noite! Eu sou Carlos Nascimento e este é o primeiro Jornal Racional de 2014. Eu e toda a nossa equipe de jornalismo desejamos a você um FELIZ ANO NOVO! Estamos torcendo para que em 2014 tenhamos 365 dias repletos de realizações, sucesso, paz e amor.

Na edição de hoje do Jornal Racional, contaremos a triste história dos cinco homens que morreram baleados nas festividades do reveillon. Falaremos ainda sobre as famílias do Espírito Santo que perderam suas casas na noite da virada e, no bloco sobre economia, o jornalista Sam Uncle analisará o novo recorde na carga tributária brasileira que subiu para 35.85% em 2013.

Mas antes de exibir os fatos do dia, vamos conversar com o nosso correspondente de Brasília, Valentim Terra, pois parece que após o anuncio do reajuste no salário mínimo em 6,78%, um cinegrafista amador registrou imagens de trabalhadores revoltados protestando contra o governo federal. Vamos a elas?

...Só um segundo... Ok, diretor! Antes de fazer contato com o Distrito Federal, faremos uma escala no Rio de Janeiro para saber como os cariocas de Copacabana comemoraram a chegada de 2014 e, logo em seguida, acionaremos a nossa central de São Paulo para ver as belas imagens registradas na queima de fogos da Avenida Paulista.

Cinco minutos depois...

Belas imagens! Agora, devido à perda de sinal com Brasília, exibiremos sem delongas e intervalos os demais acontecimentos que chocaram o país nesta semana. Mostraremos em sequência a matéria sobre os cinco homens que passaram o reveillon no Espírito Santo e o relato das famílias que, mesmo debaixo de chuva, deram uma virada na vida chupando 35,85% mais balas PIB no decorrer de 2013.

Ah! E não saia da nossa audiência, pois após os trinta segundos de duração destas matérias, apresentaremos um documentário detalhado com dicas valiosas para retirar aquela mancha “chata” de champagne que caiu em sua roupa branca durante a contagem regressiva.

Dezesseis minutos depois...

Boas dicas! Realmente, mancha na roupa branca é algo que não dá para suportar! Pessoal, conseguimos recuperar o contato com Brasília, mas infelizmente o nosso tempo esgotou e não será possível exibir as imagens dos trabalhadores satisfeitos com o grande aumento no salário mínimo.

O Jornal Racional foi reduzido, porém a causa é nobre! Daqui a pouco, após a propaganda eleitoral obrigatória, tem o episódio final da novela e na sequência, volta o seu reality show favorito com novos participantes e novas emoções.

Então é isso! Boa Noite e fique agora com a mensagem motivacional do colunista José Sérgio Mallandro para 2014. Zé Sérgio; é com você.

Pois é turminha! Acordei e a camisa já não estava mais branca. As poucas lembranças que restaram da noite fulgurante desceram descarga a baixo junto com toda a vodka que consumi. Das promessas de mudança que fiz metade já desisti. E eu, se fosse você, também desistiria desta ideia de mudar a sua vida. Mude a decoração de sua casa; dá menos trabalho e a nossa consultora de “moda no lar” poderá lhe auxiliar. Neste ano novo, continue cantando para os seus males espantar, afinal, se a música não conseguir o S.U.S também não irá. Acredite em dias melhores, na mula-sem-cabeça e no que o prefeito prometerá. E se você me perguntar, e agora José? Agora que a luz apagou, que o povo sumiu e que a “noite da virada” passou, o que farei se no final de 2014 tudo o que me propus a acreditar não vingar? Eu lhe direi: relaxa meu querido, ouça as minhas rimas sofisticas que não dizem nada com nada e se iluda pensando que esta minha voz doce quer lhe motivar. Tome uma cachaça, um novo reveillon irá chegar! Nesta época você voltará a se endividar, os velhos planos irá retraçar e se ganhar na “mega” da virada ai, talvez, o seu destino comece a se transformar. E se ganhar, me liga! Lembre-se, eu e você temos tudo a ver! Boa Noite!

 

 

INSPIRAÇÃO

Penso que essa fenda que se abre para a imaginação é uma chance dada para mergulharmos no universo divino do desconhecido e tentarmos trazer de lá algo que acalme o nosso coração e os corações daqueles que lerão a tradução que fizermos do que virmos por lá.

Imagino ser por esta abertura que passo agora; a abertura feita pela inspiração. Do nada e involuntariamente, eu me atiro no meu inconsciente e deixo que um sentimento retraído tome o controle do meu pensamento, pule para fora e diga ao pé do meu ouvido suas reclamações, felicidades, críticas, decepções; sei lá.

Sinto-me como se outra pessoa que também habita o meu corpo se rebelasse e começasse a reclamar o espaço que pertence ao meu racional. Traduzindo em palavras claras, pareço ser possuído por uma força oculta que deseja me tomar de mim mesmo e apresentar a real verdade na qual acredito.

Dai surgem estes textos, crônicas, poemas... Simplesmente ouço e os dedos se movem copiando o ditado. Quando isto me acontece, avalio que são os anjos me intuindo e usando-me como canal para enviar alguma mensagem importante a todos àqueles (ou parte deles) que lêem as “filosofias” deste blog.

Não me julgo portavoz de Deus ou qualquer outra divindade. Só transcrevo humildemente estas “inspirações” e as ofereço aos leitores, pois creio, assim como Nelson Mandela, que a partir do momento que deixo a minha luz brilhar, dou permissão para os outros fazerem o mesmo, ou seja, suponho que a minha inspiração possa inspirar.

Além disso, acho que expondo o que penso e as minhas experiências, posso auxiliar para que outros não venham a cometer os mesmos erros que eu.  Na condição de escritor, obviamente tenho interesses pessoais ao expor a minha arte, mas muito mais do que mostrar, considero a escrita como uma doação indireta de energia positiva para os que precisam recarregar as baterias.

Aliás, o artista (independente do seu segmento), na maioria das vezes, doa sua arte unicamente para ver o regozijo do seu público e compensam meses de trabalho com minutos de aplausos ou alguns poucos elogios acerca de sua criação.

E concluindo mais este texto, gostaria que todas as pessoas que acompanharem estas linhas, se inspirassem nos artistas e pegassem o que há de melhor em seu interior para doar aos que estão ao seu redor.

Não precisa ser nenhuma obra de arte ou texto filosófico; um sorriso, o bom humor, uma gentileza ou um ouvido disposto a ouvir já servem e mesmo que “o público” não seja fiel no futuro, alegre-se pelos segundos em que pôde torná-lo mais feliz.

Os nossos dias serão melhores quando trocarmos pancadas por carícias e quando substituirmos expectativas de retorno pela entrega sem preço.

Dedico este texto aos meus amigos do Movimento dos Sem Teatro que há mais de 10 anos inspiram plateias de Guanhães e região. A saudade dos palcos e de vocês é imensa.

“Não mereço ser criticado se vos dou pouco, pois dou-vos tudo o que posso dar” – Ludovico Ariosto.

 

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